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20/11/2015
Transporte público: Um direito social.
Em seminário da NTU, autoridades de mobilidade urbana e do governo apresentam sugestões para melhora

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No mesmo mês em que o transporte público passou a ser oficialmente considerado um direito social do cidadão brasileiro, representantes de diversos segmentos do transporte publico estiveram reunido no evento Seminário Nacional NTU 2015 e Transpúblico para abordar como priorizar o transporte coletivo e alcançar uma mobilidade sustentável.
Na abertura do evento, Otávio Cunha Filho, presidente-executivo da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), alertou para o fato de que, embora muitos projetos para melhoria no serviço de ônibus urbanos tenham avançado desde as manifestações populares de 2013, o país ainda passa por uma crise de mobilidade. Em comparação ao cenário do transporte publico de 15 anos atrás, o setor perdeu cerca de 20 milhões de passageiros/dia. Somente de 2013 para 2014 houve uma queda de 2% na demanda.
No ano passado, aproximadamente 300 mil pessoas por dia deixaram de usar ônibus nas nove principais capitais do país, segundo levantamento da NTU EM Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Em 2014 foram transportados 382,3 milhões de passageiros por mês, frente a 390 milhões em 2013.
"Não é a crise econômica que explica essa evasão de demanda, é a falta de mobilidade dos grandes centros urbanos. Os ônibus estão disputando espaço com os automóveis e este é um problema que precisamos resolver", disse Cunha Filho. No Brasil, os automóveis transportam menos de 20 % dos passageiros e ocupam cerca de 70 % do espaço das vias publicas, enquanto os ônibus transportam quase 70% dos passageiros e ocupam apenas 20 % das vias.
O preço desse entrave na mobilidade não se reflete apenas na questão tarifária, mas diretamente nas vidas dos usuários de ônibus e indiretamente na preção sobre os custos da economia. Apenas em 2013 o congestionamento nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro geram um custo econômico da ordem de R$ 98 bilhões relativos aos gastos extras de combustível e a produção não realizada, o que equivale a 2% do PIB nacional. "O preço de não investir é mais alto do que o de investir", comentou o executivo.
Ele ponderou que mesmo os países mais desenvolvidos mantêm seus investimentos e estratégias para melhorar a mobilidade urbana. Em Estocolmo, capital da Suécia, foi feita uma ação no mês de Setembro deste ano em que todos os carros foram banidos do Centro da cidade por um dia para incentivar o uso do transporte publico. Na França, a capital Paris não possui mais estacionamentos públicos gratuitos desde o início deste segundo semestre, visando à redução da emissão de gases poluentes e também como forma de incentivar o uso do transporte publico.
Mas, mesmo com um cenário ainda adverso, o setor contabiliza algumas conquistas a comemorar. Marcos Bicalho, diretor executivo da NTU, argumentou que houve avanços concretos no setor. Nos últimos dois anos entraram em operação oito novos sistemas de BRT (Bus Rapid Transit) e foram implantadas 23 faixas exclusivas em diversas cidades brasileiras. Também foram implantados cinco novos centros de controles operacionais (CCOs) que monitoram e fazem a gestão de todo o sistema de transporte coletivo, entre eles os de Belo Horizonte (MG), Manaus (AM) e o do Rio de Janeiro.

"Além disto, estamos com uma carteira de mais de 400 projetos para serem implantados em mais de 70 cidades brasileiras", assinalou Bicalho. Ele destacou que o setor tem conseguido dar respostas rápidas e que podem ser implantadas dentro da atual realidade econômica do país, ou seja, com baixo custo e resultado rápido.
De modo geral a crise político-econômica nacional acabou dificultando o ritmo de implantação dos novos projetos. Entretanto, o próximo ministro das Cidades, Gilberto Kassab afirmou, na abertura do seminário, que os recursos continuam existindo, apesar de serem um pouco menores.
"Os recursos estão mais difíceis, mas eles existem", declarou Kassab. O ministro assinalou que o transporte público tem que ser eficiente e o mais barato possível e disse que os subsídios devem ter um ponto de equilíbrio muito bem avaliado, não podem ser concedidos para quem não precisa e devem ser concedidos até o seu limite para quem precisa.
O secretário municipal de transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, que também participou do primeiro painel do evento, defendeu o uso da Cide-Combustíveis (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) que incide a gasolina para financiar o transporte público, como forma de transporte individual subsidiar o coletivo, proposta que já vem sendo defendida pela frente nacional de prefeitos e pela NTU, mas que depende da alteração na legislação para que a cidade seja municipalizada.
A palestrante internacional Susan Zielinski, diretora do Smart (Sustainable Mobility & Transformation), da Universidade de Michigan (EUA), falou sobre o futuro da mobilidade sustentável e as tendências mundiais e elogiou a estrutura do setor de ônibus no Brasil. "Eu invejo como as indústrias de vocês funciona, com tantos atores do setor privado com mandado público, isso é espetacular, não temos esse tipo de eficiência, sei que não é fácil o que estão fazendo, estão enfrentando dificuldades agora, mas a estrutura em si é realmente impressionante e bastante eficiente", disse a canadense, que já esteve no país por diversas vezes e trabalhou em várias cidades brasileiras.
Susan destacou a importância da integração dos diferentes modais do transporte de passageiros e como a tecnologia hoje disponível possibilita as melhorias na mobilidade urbana. Ela assinalou que grandes empresas já estão repensando suas posições diante do sistema de transporte de passageiros. "A Ford, por exemplo, está tentando repensar ela mesma como uma empresa de mobilidade e não só como uma fabricante de carros", exemplificou.
No novo mundo da mobilidade, a evolução é ir em direção a mais opções e de forma mais conectada, onde vários sistemas multimodais são usados de forma eficiente e ajudam as pessoas a chegar mais rápido a seus destinos. Ela destaca que a infraestrutura não é única forma de integrar tudo e nossos serviços, como compartilhamento de carros com caronas estão surgindo para atender essa demanda.
Esse perfil de compartilhamento vem sendo reforçado pela chamada geração do milênio, formada principalmente por pessoas na faixa etária de 18 a 35 anos, para as quais não é mais importante ser proprietário de um automóvel. Muitas dessas pessoas estão migrando do modelo individual de transporte para o coletivo. "Ter um carro não tem mais a ver com o seu status com a sua identidade. Eles estão mais interessados em redes sociais e experiências", disse Susan.
O jornalista e comentarista econômico Carlos Alberto Sardenberg traçou um panorama do cenário econômico nacional e das perspectivas para o país neste momento de crise. Os problemas de infraestrutura voltaram a ser destaque no tema abordado por ele durante o seminário. Ele disse que um dos maiores erros do atual governo foi não entender que o ciclo de crescimento.

Sardenberg reforçou que o país precisa de uma profunda reforma no setor publico diante de gastos do governo que hoje representam 20% do Produto Interno Bruto (PIB). "Precisamos pegar todo o gasto publico e verificar para onde está indo o dinheiro. Existe um enorme desperdício", completou.




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