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05/07/2012
Mobilidade Urbana e Qualidade de Vida
Por Marcos Bicalho, Engenheiro Civil e diretor da NTU

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Ao anunciar investimentos de R$ 32 bilhões para projetos de mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras, complementando os investimentos já anunciados para as cidades-sede da Copa do Mundo no valor de R$ 11,5 bilhões, a presidente Dilma Rousseff confirma a intenção do Brasil de abandonar a posição de um dos países mais caóticos quando o assunto é transporte público urbano e focar num transporte sustentável, com menor custo para a sociedade e melhor adequação ao meio ambiente.O fato é que o transporte público está vivendo um período de grandes mudanças após anos de crise contínua.

As iniciativas de governos e empresas privadas, buscando recuperar o tempo perdido, mostram uma luz no fim do túnel.

A nova realidade brasileira obrigou esses agentes a planejar a implantação e operação de sistemas eficientes e condizentes com o desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Dos R$ 43 bilhões de investimentos públicos referentes aos PACs da Copa do Mundo e da Mobilidade Grandes Cidades, mais de R$ 10 bilhões serão aplicados em sistemas de ônibus, seja em BRT (Bus RapidTransit), seja em corredores exclusivos.

Se somarmos outras fontes de financiamentos, os investimentos públicos em sistemas de ônibus chegam a R$ 12,5 bilhões nos próximos quatro anos, o que exigirá investimentos privados da ordem de R$ 8,4 bilhões, dos quais R$ 6,3 bilhões em veículos especiais para BRT e para operação em corredores e R$ 2,1 bilhões em sistemas inteligentes de transporte (lT5).

Esse volume de investimentos públicos e privados nos sistemas de ônibus urbanos deverá representar um verdadeiro salto de qualidade nos serviços de transporte.

Com a oferta de transporte público coletivo de qualidade, será possível obter mudanças significativas na matriz modal de viagens, de forma a conseguir um uso mais racional dos automóveis e, assim, melhorar a qualidade de vida nas nossas cidades, com um trânsito menos violento e com menos poluição.

Mas ainda é preciso fazer mais.

É preciso aliar às medidas em andamento outras soluções simples e pragmáticas de forma a ampliar as ações em prol da melhoria da mobilidade urbana para as demais cidades do país visto que os programas já lançados atingem apenas as cidades com mais de 700 mil habitantes.

Precisamos avançar com soluções e investimentos para as cidades de 300 mil habitantes e, mais adiante, atingir todos os municípios com mais de 100 mil habitantes, muitos dos quais sofrem os problemas causados pelos congestionamentos.

Desonerar impostos e tributos (que representam mais de 30% dos custos totais) incidentes sobre a tarifa praticada no setor permitiria a ampliação dos níveis de integração intermodal das redes de transportes, que hoje são limitados a poucas cidades brasileiras, justamente aquelas que têm condições de subvencionar os custos desse serviço público essencial.

Além disso, a desoneração dos custos setoriais, como por exemplo da folha de pagamento fortaleceria as condições para implantação de novos projetos, para o aumento da oferta com a expansão dos serviços e para a geração de novos empregos.

Diante do desafio da crise da mobilidade urbana e do momento econômico favorável vivido pelo Brasil, temos a oportunidade de melhorar a situação do transporte público.

Para que isso ocorra, basta que medidas similares àquelas do Programa Brasil Maior sejam consideradas e adotadas para o setor.

As primeiras medidas tomadas até agora indicam que estamos seguindo na direção correta.

Marcos Bicalho, Engenheiro Civil e Mestre em Ciências da Engenharia de Transporte e diretor da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).




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