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12/01/2011
Motoristas sem limites
Por: Alexandre Garcia

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Nunca dirigi um caminhão, mas tive alguma idéia quando pilotei um ônibus imenso - ainda bem que foi no autódromo. É estranha a sensação de estar ao volante com as rodas dianteiras ligeiramente atrás da gente e as traseiras muito distantes, lá atrás.

Fazer uma manobra, uma curva, demanda muita perícia, principalmente com o ônibus cheio de convidados, o que aumenta a responsabilidade do motorista - todos confiando que quem está ao volante é um perito.Depois da experiência, passei a admirar ainda mais esses abnegados corajosos que pilotam os caminhões que fazem circular a seiva da economia pelas artérias, veias e capilares do Brasil. O motorista de caminhão está na cultura popular com destaque; faz parte de letras de muitas músicas sertanejas. No filme de 1970, "Motorista sem Limites", o cantor-motorista Teixeirinha acaba prendendo bandidos, no volante de seu caminhão. O povo reconhece o valor desse homem que precisa domesticar um gigante de dois ou mais eixos, com uma carga de 30 ou 40 toneladas, a rodar a 100 km/h porque há pressa em entregar a mercadoria. Roda de dia ou de noite, com solou com chuva, enche o estômago com um prato feito, que rebate com refrigerante ou cerveja, e vai em frente, cumprir o dever. Há poucos dias mostramos, no "Bom Dia Brasil", que só nas rodovias estaduais paulistas ocorrem 60 acidentes com caminhões por dia.

Até fim de outubro, foram 18 mil registros na Polícia Rodoviária Estadual de São Paulo, de acidentes com caminhões, com 651 mortes. Dá mais de duas mortes por dia - e estamos falando apenas das rodovias estaduais, sem contar as BRs e as rodovias municipais, vicinais e urbanas de São Paulo. Isso não é uma amostragem do que acontece no país inteiro, porque as estradas de São Paulo são boas. No restante do Brasil é pior.

Como eu disse lá em cima, não é fácil dirigir um veículo grande e pesado. O peso somado a velocidade deixam pouco controle para quem tem as mãos na direção e o pé ao lado do freio. Se numa curva ou numa manobra brusca um caminhão longo e carregado começar a oscilar, ninguém segura. O mesmo se precisar diminuir bruscamente a velocidade. Talvez um pequeno estudo sobre as leis que regem a inércia, ou seja, a trajetória dos corpos, poderia ajudar o piloto a planejar sua rota levando em conta todos os fatores, principalmente o peso. Ou sobre identificar onde está o centro de gravidade do veículo alto que o motorista comanda.

Como qualquer outra habilitação, a de motorista de caminhão não exige maiores conhecimentos sobre inércia ou situações de emergência. O Sest Senat tem cursos para qualificar motoristas de carga, inclusive perigosas, e há uns poucos centros de formação realmente especializada no Brasil, com caminhões-escola. Existe até centro de excelência, ministrando aulas que tornam o motorista um profissional completo, indo além do volante.

Mas há mais de 1,6 milhão de motoristas de caminhão no Brasil e apenas 1.5% deles têm curso realmente profissional. A maciça maioria é de motoristas com limites e a consequência tem sido essa imensa e preocupante perda de vidas, de cargas e de veículos




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