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01/10/2015
O desafio de transportar passageiros no Brasil
André Dantas é PHD e diretor técnico da NTU

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 “A roda do ônibus roda-roda, roda-roda, e o passageiro sobe e desce...”.                           

Nem tudo é tão simples como na musica que as minhas filhas cantam sem parar. O esforço diário para transportar mais de 40 milhões de passageiros vai muito alem de utilizar o conjunto ônibus-motorista para rodar pela cidade. Na verdade envolve uma complexa rede de logística em mais de 3.313 municípios brasileiros, onde cerca de duas mil empregam 537 mil profissionais para que mais de 107 mil ônibus percorram quase oito bilhões de quilômetros por ano. Tudo isso ocorre sob a gestão do poder publico concedente (municípios, estados e União), que tem a prerrogativa de determinar os serviços prestados e as respectivas tarifas publicas.   

 A evolução desse esforço diário tem sido registrada ao longo dos últimos 20 anos de existência do Anuário da NTU. Ano após ano, são coletados dados dos principais indicadores do desempenho operacional do setor de transporte publico por ônibus em nove cidades brasileiras (Belo Horizonte -MG, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Goiânia – GO, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro – RJ, Salvador – BA e São Paulo – SP). Esses dados compreendem a demanda (passageiros transportados), a quilometragem produzida, o numero de veículos em operação e a idade media da frota. Também são registrados outros indicadores, tais como preço do óleo disel, salários de motoristas, tarifas e os recursos por quilometro, que indicam variações significativas nos insumos e nos resultados alcançados. A mais recente edição do Anuário da NTU (2014-2015) revela a consolidação de um padrão de queda de produtividade e o aumento significativo nos custos dos principais insumos. Verifica-se a redução de 2% dos passageiros transportados e também a diminuição de 2,4 milhões de quilômetros produzidos no período de 2013-2014.

Houve também, nesse mesmo período, o aumento de 2,8% no preço do óleo disel e de 2% do valor dos salários de motoristas. Esse padrão é similar aquele observado ao longo da serie histórica iniciada em 1994. Esses resultados não surpreendem, apenas ajudam a quantificar uma parte de todo o processo de perpetuação do ciclo vicioso da mobilidade urbana. A opção por políticas publica que permitem à ampla utilização do transporte individual tem conseqüência direta no desempenho do setor de transportes públicos. Sem priorização e conseqüente racionalização dos sistemas, é praticamente impossível melhorar a qualidade dos serviços prestados a comunidade. Para reverter esse quadro de deterioração, já existem resultados brasileiros que mostram o caminho a ser seguido. Não é demasiado reforçar o avanço alcançado na cidade de São Paulo-SP, onde a implantação de faixas exclusivas permitiu aumentos da ordem de 21% na velocidade dos ônibus. Em outro exemplo destacado, os BRTs da cidade do Rio de Janeiro foram muito bem avaliados pelos usuários, principalmente por reduzir o tempo de viagem e aumentar a confiabilidade dos serviços. Ainda segundo levantamento publicado no Anuário da NTU (2014-2015), existe 419 projetos (287), que ainda está em estágios anteriores à fase de testes e de operação, depende de alocação de recursos federais para se tornar realidade.  Independente da magnitude e da complexidade do desafio que enfrentamos, o mais importante é destacar que uma parte da solução dos problemas está na implantação dos projetos de priorização. Temos que continuar trabalhando para que o sobe-desce do passageiro seja cada vez mais eficiente, confortável e confiável. 




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