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05/07/2011
Mídias Sociais: devemos entrar nesta onda?
Por Roberto Sganzerla

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Não faz muito tempo que no Brasil se comunicar ou se reunir em grupo para socializar e dividir experiências exigia além de tempo, também a insubstituível presença física. Era assim para se estabelecer contatos com parentes distantes, rever amigos ou mesmo pertencer a um grupo específico. Na esteira do rápido desenvolvimento tecnológico e do forte crescimento econômico visto no país nos últimos anos, vieram novas formas de se comunicar e novas maneiras de se relacionar e compartilhar conteúdos via Internet.

Hoje é praticamente impossível ignorar a importância e a presença marcante que tem as redes sociais não apenas na vida dos cidadãos comuns, mas também de empresas, escolas e outras instituições. Seja para bater papo, disseminar e compartilhar conteúdo, ou até mesmo para procurar emprego, os atrativos das redes sociais vão muito além da simples função de juntar pessoas simultaneamente. Prova disso é que de acordo com a pesquisa realizada pela comScore, empresa especializada em estatísticas do mundo digital, o tráfego total em redes sociais teve um aumento de 51% em 2010. Desse total de acessos, o Facebook já é líder na audiência das redes sociais no Brasil, ultrapassando o Orkut, que possui média de 32 milhões de visitantes únicos (Alexa - Abr./2011). Na terceira posição dos mais acessados aparece o Twitter, representando 23% da audiência online no país com 8,6 milhões de visitantes. Atualmente, no mundo, o Brasil possui a segunda maior audiência na rede.

Ainda de acordo com o levantamento feito pela comScore, o tempo médio gasto pelos brasileiros com as mídias sociais representam 20% do acesso online individual. Numa média mensal, o tempo gasto nesses sites é de quatro horas, com cerca de 585 páginas visualizadas. No quesito tempo o Orkut também lidera com folga a média de permanência dos internautas no site, chegando a cerca de 4,6 horas por mês, com 657 páginas de conteúdo acessadas em média. A origem dos acessos às redes sociais também reflete o bom momento da economia do país, já que cada vez mais brasileiros possuem microcomputadores em casa com conexão direta de Internet. Em agosto de 2010, mais de 36 milhões de internautas com idade acima de 15 anos visitaram as redes sociais de casa ou do trabalho no Brasil.

As novas mídias, como eram chamadas as mídias sociais há um tempo atrás, vieram para ficar e precisam ser analisadas sob a realidade brasileira, afinal o Google não é o maior mecanismo de busca da China, nem o Orkut é a maior rede social dos Estados Unidos, mas são os dois sites mais acessados no Brasil. As mídias sociais fazem parte de uma revolução poderosa, influenciam decisões, perpetuam ou destroem marcas e elegem presidentes. Isto nos leva a concluir que não há como não contemplarmos as "mídias sociais" em nosso planejamento de comunicação. Mas há que se ter cuidado e estratégia para surfar esta onda, veja o que diz Gabriel Leite que é Publicitário e especialista em Marketing Digital: "...em meses as mídias sociais podem te levar ao sucesso, porém em segundos podem te levar ao fracasso. Então é preciso ter muito cuidado e responsabilidade. Aquela história de ‘meu sobrinho faz pra mim' já era. Agora a dimensão é outra, ou faz certo ou é melhor não fazer".

 

Redes Sociais X Mídias Sociais
Várias pessoas confundem os termos redes sociais e mídias sociais, muitas vezes usando-os de forma indistinta. Eles não significam a mesma coisa. O primeiro é categoria do último, isto é, sites de relacionamento (redes sociais) fazem parte das mídias sociais (ou novas mídias, como se chamava em 2005). Portanto, redes sociais (ou sites de relacionamentos como eram chamados em 2005) são ambientes cujo foco é reunir pessoas, os chamados membros, que, uma vez inscritos, podem expor seu perfil com dados como fotos pessoais, textos, mensagens e vídeos, além de interagir com outros membros, criando listas de amigos e comunidades. Exemplos de redes sociais são o Facebook, Orkut, MySpace, Linkedin, etc.

Mídias sociais é termo guarda-chuva para todos os sites na internet construídos para permitir a criação colaborativa de conteúdo, a interação social e o compartilhamento de informações em diversos formatos, tais como:
- Microblogging (ex. Twitter),
- Compartilhamento de vídeos (ex. YouTube),
- Compartilhamento de apresentações (ex. SlideShare),
- Compartilhamento de fotos (ex. Flickr),
- Agregadores (ex. Digg),
- Redes sociais (ex. Facebook, Orkut, MySpace, Linkedin, etc.)
- Etc..

O Poder das Mídias Sociais

- 126 milhões: número de blogs existentes na internet (fonte Pulse);
- 27,3 milhões: número de tweets no Twitter por dia;
- 500 mil: número de aplicativos ativos no Facebook;
- 5 bilhões: número de minutos que as pessoas do mundo todo passam por dia no Facebook;
- 4 bilhões: fotos hospedas no site de compartilhamento Flickr;
- 3,6 bilhões: novas fotos no Flickr em um mês;
- O Google comprou o YouTube, um site de compartilhamento de vídeos, por US$ 1,65 bilhões;
- 1 bilhão: média de vídeos exibidos no Youtube em um dia;
- No Brasil, mais de 80% dos internautas participam de alguma mídia social.

"Pessoas comuns conseguem espalhar boas e más informações sobre marcas mais rapidamente que as pessoas de marketing"- Ray Johnson

Algumas das principais Mídias Sociais
Comecemos pelos Microblogging. Empresas utilizam microblogs para criar um canal de comunicação direto com o consumidor, se disponibilizando para tirar suas dúvidas e auxiliá-lo na solução de problemas. Essa resposta que a empresa oferece ao consumidor é muito importante para que este possa desenvolver uma confiabilidade maior, e assim ser um dos responsáveis por beneficiar a imagem das empresas dentro da rede.

Um exemplo de microbblogging é o Twitter. O Twitter está na terceira posição dos mais acessados, representando 23% da audiência online no país com 8,6 milhões de visitantes. O Twitter, por ser um microbblogging, limita as mensagens a 140 caracteres. A regra na rede social é não ser prolixo, isto é, expressar o que deseja em poucas palavras. Como já dizia Seth Godin: "Se você não consegue expressar sua posição em oito palavras ou menos, você não tem posição." Pesquisas revelam que o usuário do Twitter tem uma média de idade de 39 anos, o que demonstra claro aumento na faixa etária dos usuários das mídias sociais em todo mundo. Faz algum tempo que as mídias e redes sociais deixaram de ser brincadeira de adolescente para fazer parte do dia a dia dos usuários de internet no mundo. Você e sua empresa não podem ficar fora dessa conversa, mas antes de entrar no Twitter você deve ter as respostas para as seguintes perguntas:
- Quem vai ter a responsabilidade pela conta no Twitter?
- Você está preparado para responder e agir a tempo? Timing é essencial.
Twitter não é um monólogo, e sim um diálogo, portanto torne-se parte da comunidade junto com seus seguidores.

SlideShare
Fundado em 2006, o Slideshare descreve-se como uma comunidade de compartilhamento de apresentações (pública ou privada) em Power Point, PDF ou Open Office. Qualquer um pode encontrar apresentações sobre seu tema de interesse, as quais podem ser marcadas, transferidas ou incorporadas em sites ou blogs e está disponível em 11 línguas. Segundo o Slideshare, mais de 50% dos visitantes têm um mestrado ou doutorado. Mais de 50% são gerentes, gestores ou profissionais com uma influência importante sobre a compra.

Vamos agora conhecer algumas das principais redes sociais:

Em outubro de 2003, um estudante do segundo ano de Harvard chamado Mark Zuckerberg criou o Faceboock, uma rede social que começou como um site exclusivo para estudantes da Harvard. Lentamente, o site foi permitindo a participação de outras faculdades. Finalmente, em 2006, qualquer pessoa com um endereço de e-mail poderia se inscrever. O Faceboock se tornou uma das maiores redes sociais do mundo, e vem crescendo muito no Brasil junto às classes A e B. O usuário do Faceboock tem uma média de idade de 38 anos e o site possui mais de 600 milhões de usuários ativos. Cerca de 18 milhões no Brasil. 100 milhões destes usuários ativos (25 do total%) utilizam o Faceboock por meio de plataformas móveis ao menos uma vez no mês e 200 milhões dos usuários em atividade já experimentaram acessar o faceboock em dispositivos móveis pelo menos uma vez.

O Linkedin, lançado em maio de 2003, é um site que busca a criação de redes sociais voltadas aos negócios. Ele é muito diferente dos sites de relacionamento pessoal, como Orkut, Faceboock, MySpace, voltados ao público em geral. Ele está focado em profissionais que de fato possam utilizá-lo nos negócios. Excelente mídia social para ser utilizada no desenvolvimento de networking profissional ou de sua empresa, contribuindo para a localização de novos colaboradores, parceiros e clientes. O Linkedin é uma espécie de currículo profissional, em que consta sua posição atual, os cargos que exerceu, sua escolaridade, seus sites, particularmente sites de empresas, e seu blog.
- Linkedin no mundo todo: 101 milhões de membros
- Linkedin na Europa: 23.1 milhões de membros
- Linkedin no Brasil: 3.6 milhões de membros
- O Linkedin tem seus usuários com uma idade de média de 44 anos.

O MySpace foi o primeiro site de rede social que permitiu aos usuários personalizar seus perfis. Ele mantém a popularidade com adolescentes, músicos e outros artistas. Interessados em ter relacionamento com a vida noturna ou comunidades de música, o MaySpace é uma boa escolha.

O Orkut pertence ao Google, foi a primeira grande rede social a se desenvolver no Brasil, é a segunda rede social mais acessada no país e tem grande força nas classes B, C, D e nos usuários entrantes na Internet (houve migração demográfica na classe A do Orkut para o Faceboock no Brasil). Ações de marketing viral podem ser estimuladas no Orkut. É possível gerar buzz com algo engraçado, curioso e inesperado. Imagine o potencial viral dessa rede social, já que o Orkut possui mais de 32 milhões de usuários brasileiros, 61,5% do total de seus usuários, segundo a ComScore. Os usuários podem falar por você. Uma mensagem é mais bem recebida se ela vem de uma fonte confiável. Melhor do que você mandar uma mensagem direta a um grupo de pessoas é fazer com que outras pessoas passem a mesma mensagem para os próprios amigos. Assim a mensagem chega com mais credibilidade.

As quatro regras básicas para você ou sua empresa nas Mídias Sociais:
1. Mídias sociais quer dizer permitir conversações.
2. Você não pode controlar conversações, mas você pode influenciá-las.
3. Seja social nas mídias sociais. Sua empresa não pode falar apenas dela mesma. Construa relacionamentos, dê respostas rápidas, seja honesto e sincero, recordando-se sempre de que as mídias sociais são um diálogo, não um monólogo.
4. Uso do texto nas mídias sociais deve ser de acordo com a linguagem do target. Sempre lembrando no planejamento se a forma de comunicação vai ser formal, informal ou intermediária.

O Brasil está conectado. Não dá para ficar fora desta onda!
O brasileiro está entre os cinco povos que passa mais tempo conectado:
1º - Canadá - 44.9h/mês
2º - UK - 30.6h/mês
3º - Coréia do Sul - 27.8h/mês
4º - França - 25.7h/mês
5º - Brasil - 24.3h/mês
É o 2º no YouTube, Gmail e Twitter.
E o 1º no Orkut e no MSN.

Cerca de 56% das pessoas afirmam que só concretizam um negócio após pesquisar na internet. Diversas pesquisas comprovam que mais de 80% dos usuários que acessam a internet no Brasil fazem parte de alguma rede de relacionamento. Seja em casa, no trabalho, em lan-houses ou tele centros. Cerca de 50% destes são extremamente ativos. Cem por cento das classes A e B têm fácil acesso à internet, já as classes C e D somam 60% e são as classes que mais se multiplicam em razão do crescimento das lan-houses, o barateamento dos celulares com internet e as facilidades na compra de computadores. Segundo levantamento da Nielsen Online publicado na segunda semana de Abril/11, 67% dos internautas do mundo usa redes socais e blogs - atualmente com mais uso do que e-mails pessoais. No Brasil, mais de 80% dos internautas participam de alguma mídia social.

Não dá pra ficar de fora das Mídias Sociais. Então algumas dicas para surfar esta onda:

• Respostas on-line
Responda as reclamações on-line de forma rápida, sucinta e educada. Na maioria das vezes, as empresas postergam, na esperança de que o problema simplesmente desapareça. Na maioria das vezes, ele apenas piora. As empresas devem responder aos ataques on-line com a verdade. Se o reclamante estiver errado, diga isso claramente, mas sem qualquer toque de moralismo. Se sua empresa estiver errada, admita e prometa agir melhor - e cumpra a promessa. Defenda seu ponto de vista e deixe que o bom-senso dos ouvintes desvende os fatos.

• Eles já estão falando sobre você!
O controle da marca não existe mais. O comportamento do consumidor atual com a internet deixou de ser um simples receptor da comunicação para se tornar retransmissor e formador de conteúdo. Ouça bem: cada pessoa com um computador e um pouco de habilidade tem as ferramentas para fazer suas opiniões sobre uma marca ser ouvidas por outras pessoas. Elas já estão falando sobre você. O controle da mensagem é uma ilusão, desista. Seus funcionários estão falando sobre você no Facebook e no Orkut, em grupos fechados para fazer isto em paz, ou seja, você já não tem mais controle sob a sua marca, o que você deve fazer é entrar na conversa e tentar influenciá-la. Seus clientes enviam e-mails, usam o Twitter e o MSN para falar da experiência com a sua marca. Você não tem controle. Você deve entrar na conversa, pois você poderá ao menos influenciar o que está sendo dito.

Conclusão
Não há como deixar de contemplar as "mídias sociais" em nosso planejamento de comunicação, mas sem abandonar as mídias convencionais. A despeito de muito importante em nossos dias, o marketing digital não é absoluto. Devemos pensar sempre na integração das mídias, também chamada de cross media. André Telles que é professor de MBA e Pós-graduação nas áreas de Marketing Digital e Novas Mídias diz que "a comunicação tradicional pode e deve estar integrada às novas tecnologias. O social media marketing relaciona-se bem de perto com o ‘branding' - esforço da marca para atrair credibilidade, efeito memória e permanência junto ao mercado". Estar nas mídias sociais não substitui o esforço de marketing institucional, muito pelo contrário, apenas o complementa. Também é fato que qualquer criança pode criar um perfil em mídia social. Mas lembre-se: não basta "estar" nas mídias sociais, deve-se estar estrategicamente, com responsabilidade e presença efetiva. E não se esqueça da recomendação do consultor, professor e palestrante de marketing digital e criação publicitária, Jose Telmo: Em "mídias sociais" é menos ‘mídia' e mais ‘social'.

Fontes:
TELLES, André. A Revolução das Mídias Sociais - São Paulo: M.Books, 2010
Midiatismo @Midiatismo, Novas Digitais @NovasDigitais, José Telmo @JoseTelmo, Digitalplanners @dplanners

Por Roberto Sganzerla: especialista em Marketing em Transportes, com MBA em Gestão de Negócios e Liderança e Mestrado em Liderança.
sganzerla@terra.com.br
@robertsganzerla

 




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